PROGRAMA DE FORMAÇAO INICIAL PARA OS PROFESSORES EM EXERCICIOS NA EDUCAÇAO INFANTIL

TÍTULO:

APRENDER BRINCANDO

NA EDUCAÇAO INFANTIL DE 3 A 4 ANOS

 

EIXO:

O DESENVOLVIMENTO INFANTIL

ÁREA TEMÁTICA:

LINGUAGEM – Educação Física

AUTORA: ROSELI MACHADO DE ARAUJO BRUSCHI

 

TUTORA: MÁRCIA FRANÇA MACIEL EBERHARDT

 

PROF. FORMADOR: WILSON APARECIDO PEREIRA

AGF/CEFAPRO-JUINA

 

JUÍNA - MT / JUNHO - 2011



Trabalho apresentado à agencia Formadora do Cefapro no programa proinfantil, como parte das exigências para obtenção do certificado de conclusão do curso.

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho ao meu esposo por ter sido compreensivo no decorrer do curso.

Aos meus filhos que muitas vezes ficaram sozinhos para que eu pudesse estudar...

Dedico à minha irmã que sempre me deu força nos momentos em que precisei não me deixando desistir.     

 

AGRADECIMENTOS

 

Meus sinceros agradecimentos:

À equipe da AGF de Juína;

Aos professores formadores, em especial ao Prof. Wilson, por estar mais próximo nesta caminhada do projeto;

Às tutoras, que no decorrer do curso Proinfantil estiveram sempre prontas a nos ajudar, tirar nossas dúvidas, elevando nossa autoestima e tendo sempre uma palavra de conforto quando precisávamos, especialmente a Márcia, por acompanhar de perto minhas dificuldades, minhas angústias e meu crescimento a cada etapa do curso;

À Luciana, por ter me ajudado nas primeiras digitações do projeto e mandado por seu e-mail para correção;

À Indialine, que no decorrer do curso me recebeu em sua casa para almoçar todos os sábados de encontros quinzenais;

À direção e coordenação do C.E.I. NOSSO LAR pelo incentivo,  compreensão e colaboração nas atividades propostas pelo curso PROINFANTIL;

Meu agradecimento maior a DEUS, por me permitir chegar até aqui.

 

 

APRESENTAÇÃO

 

Este trabalho de pesquisa sobre a importância de aprender brincando na educação infantil de 3 a 4 anos, baseado em estudos e pesquisas de campo. Está dividido em três capítulos: o primeiro trata das fundamentações teóricas e fala da brincadeira num contexto social e cultural tendo o professor como mediador entre criança e o mundo das brincadeiras, trás também conceitos do brincar e da brincadeira; o segundo capítulo trás uma lista de brincadeiras fáceis e detalhadas passo a passo que foram desenvolvidas durante a pesquisa de campo, com seus possíveis desenvolvimentos e aprendizagem; no terceiro e último contém depoimentos feito através de questionários com professores da Educação Infantil de 3 a 4 anos, com diferentes opiniões, professores com diferença de idade, com anos de experiência e outros recém formados, falando sobre a importância do aprender brincando na educação infantil.       



INTRODUÇAO

 

Este trabalho procura trazer uma visão ampliada da importância das brincadeiras e jogos  no desenvolvimento das crianças de 3 e 4 anos e na formação do ser humana ontológico. Cabe ao professor, ao se tornar responsável pela aprendizagem da criança ter a consciência de que deve trabalhar o aluno em sua formação múltipla. Abrangendo aspectos biológicos, sociais, cognitivos e afetivo-emocionais.

Através dos jogos e brincadeiras, o educando encontra apoio para superarsuas dificuldades de aprendizagem, melhorando o seu relacionamento os  outros e com os objetos.

O jogo e a brincadeira devem fazer parte do cotidiano dos Centros de Educação Infantil nas diversas áreas do conhecimento pela variedade de estímulos que oferecem, pela atmosfera de alegria e encantamento que proporcionam e, principalmente, pela presença de certas normas. Também oportunizam ao aluno se desenvolver e atendem às suas necessidades básicas no desenvolvimento bio-psico-motor Para crescer e manter o seu equilíbrio a criança deve brincar, criar e inventar, coisas das quais os jogos e as brincadeiras podem se incumbir.  É aqui que são reconhecidos os mecanismos de identificação cultural e a formação educativa.

Diante das novas perspectivas educacionais a fim de compreender melhor as possíveis relações entre o brincar, o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças escolhi como tema para meu projeto a importância de “aprender brincando na Educação Infantil com crianças de três a quatro anos”.

Para tanto, fui buscar por informações com trocas de experiências sobre como era o aprender brincando na educação infantil de três a quatro anos foi o ponto de partida para o projeto de pesquisa. Tive necessidade de fazer questionários com os professores que trabalhavam com crianças dessa faixa etária sobre quais brincadeiras estavam sendo trabalhadas e pesquisas falando sobre o assunto que oferecessem pistas a serem trilhadas durante a pesquisa de campo.

Essa pesquisa pretende verificar como os educadores entendem a importância da brincadeira para a aprendizagem da criança. Os métodos utilizados para a realização da mesma foram leituras de alguns livros, artigos de revistas, textos e pesquisa de campo com professores que atuam na Educação Infantil, além de algumas aulas experimentais acompanhadas durante os dois últimos semestres do curso buscando assim identificar, descrever e analisar a importância da utilização das brincadeiras no desenvolvimento das crianças de 3 e 4 anos, na educação infantil.

A fundamentação teórica está baseada em alguns autores, experiências, pesquisas e estudos sobre brincadeiras, brinquedos e jogos.


Objetivos

 

Realizar pesquisa com profissionais da educação para a troca de experiência em relação ao aprender brincando no centro de Educação Infantil Nosso Lar.

Pesquisar na bibliografia e nas referencias teorias que trata do tema.

Averiguar através de questionários os procedimentos didáticos utilizados pelos professores da educação infantil de três a quatro anos.

Elaborar uma relação de atividades do brincar executada no CEI durante a pesquisa.

 


CAPÍTULO I

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

 

Historicamente a brincadeira está presente na cultura de cada um; na sociedade atual é um direito que a criança tem, assim como está mencionado na declaração dos direitos das crianças assinada pela assembléia das Nações Unidas.

É importante ressaltar que a brincadeira é um contexto social e cultural e que a criança não nasce sabendo brincar ela aprende através das relações preestabelecidas com o seu meio e com as pessoas com as quais vivem, ai  a importância do professor como mediador dessas crianças com o mundo das brincadeiras.

Para pensadores como Brougére “a brincadeira humana supõe um contexto social e cultural”. É preciso efetivamente romper com o mito da brincadeira natural, para GILLES BROUGÉRE, (2001,97-98) “a criança não nasce sabendo brincar, ela aprende a entrar no universo da brincadeira a partir das relações que estabelece com o meio”.

Como podemos verificar a seguir:

A criança está inserida desde o nascimento num contexto social e seus comportamentos estão impregnados por essa imersão inevitável. Não existe na criança uma brincadeira natural. A brincadeira é um processo de relações interindividuais (relação de uma pessoa com a outra), portanto, de cultura. É preciso partir dos elementos que ela vai encontrar em seu ambiente imediato, em parte estruturado por seu meio, para se adaptar as suas capacidades. A brincadeira não é inata (no sentido de que a criança já nasce com esse potencial de brincar). A criança pequena é iniciada na brincadeira por pessoas que cuidam dela. (BROUGÉRE, G. 2001.p.97,98.)

Para acontecer a tal aprendizagem na criança devem ser oferecidos estímulos desafiadores. A estimulação é importante nessa etapa, o brincar acaba sendo o elemento estimulador para o aparecimento da fantasia. Nessa fase a criança apresenta situações ricas e complexas, pois através das brincadeiras de movimento vem as atividades simbólicas, desenvolvendo a coordenação motora, as de competências cognitivas, lateralidades e outras.

Segundo especialistas, ficou claro o conceito do que é o brincar e sua importância no processo de desenvolvimento humano. Varias pesquisas mostram que é brincando que a criança adquire conhecimentos, aprende a respeitar e ouvir o outro, entra em contato com  a cultura em que vive e supera desafios.

Assim fica evidente que a brincadeira é indispensável em sua vida, é importante a criança brincar não apenas com brinquedos fabricados, mas, também com latinhas, pedaços de cabo de vassoura,potes de plásticos, pedacinhos de madeira e outros, oferecendo também esse tipo de material o professor ajuda a criança desenvolver sua imaginação e usando sua própria criação ela vai experimentar um mundo imaginário e vivenciar situações do seu cotidiano de forma simbólica. Por exemplo, enquanto brinca de casinha, imita o que a mãe dela faz.

‘Ainda na visão de Brougére (2004),

o brinquedo é um suporte para a brincadeira da mesma forma que os demais objetos existentes na cultura. O brinquedo retrata, em geral, a economia e a técnica de uma determinada sociedade. Mais do que o próprio objeto, o importante é o significado que a   criança atribui a ele durante a brincadeira.”O brinquedo só surte efeito no cenário de uma situação organizada pela criança (...)” BROUGÉRE, 2004, p. 260   

O brincar é o fundamento e o brinquedo um meio, um objeto que pode ser acrescentado para ilustrar uma brincadeira. Não é necessário possuir brinquedos de fabricas, criança tem uma imaginação muito fértil, qualquer objeto do seu dia a dia nas mãos de uma criança vira brinquedo, tem também os recicláveis,que pode ser feitos por eles mesmos, existe infinitas idéias e possibilidades de criação.”o fato de não serem considerados imprescindíveis não significa que os brinquedos tenham pouco valor. Sua importância está aliada a estimulação que eles provocam, contribuindo para o desenvolvimento infantil.

”Assim a criança quando brinca aprende a se expressar no mundo, criando e recriando novos brinquedos e, com eles, participando de novas experiências e aquisições.” (SALLES OLIVEIRA,1984, p. 49) 

É muito importante enfatizar que a brincadeira é intrínseca à infância, entretanto, em algumas ocasiões, os adultos mais próximos (pais ou professores) tentam impor atividades para as crianças que não cumprem os critérios acima mencionados, mas que são chamadas de “brincadeiras” pelos próprios adultos. Importante! Se a atividade é imposta ou se parece desagradável para a criança, tudo indica que não se trata de uma brincadeira, mas de qualquer outra atividade.

Uma mesma atividade pode ser considerada uma brincadeira para uma criança mas não para outra, o que torna o trabalho do educador ainda mais complexo. São várias as dificuldades que existem com relação à definição e caracterização da brincadeira, entretanto, é certo que a brincadeira assume um papel fundamental na infância; numa concepção sociocultural, a brincadeira mostra como a criança interpreta e assimila o mundo, os objetos, a cultura, as relações e os afetos das pessoas, sendo um espaço característico da infância (Wajskop, 1995).

CAPÍTULO II

PESQUISA DE CAMPO

 

Esta pesquisa foi desenvolvida no período do segundo semestre de 2010, com quatro professores da CEI Nosso Lar, sendo três professoras e um professor. Entre as professoras duas atuam na educação infantil há mais de dez anos, a  outra e o professor são recém formados, há dois anos trabalhando na Educação Infantil, dos quatro professores apenas um é efetivo, esses professores trabalham com a mesma faixa etária, crianças de 3 a 4 anos. Foram feitas 10 (dez) questões abertas, os professores responderam livremente e,posteriormente foi feita a análise das respostas e a comparação com a fundamentação teórica pertinente.

a) Quais eram as brincadeiras que vocês brincavam quando criança?

Professor – 1: jogar bola, soltar pipa, roubar bandeira, pega-pega, carrinho, esconde-esconde, pular tábua.

Professor - 2: esconde-esconde, na terra com água, fazer comidinha, cozinha, elástico.

Professor – 3: queimada, brincadeiras de roda, pega-pega, pique no alto, amarelinha, esconde-esconde, boneca, cobra-cega.

Professor – 4: passar anel, amarelinha, cozinhar, pula corda, roda-roda, cai no poço.

Percebe-se que professores de diferentes gerações brincaram de esconde-esconde, e, essa brincadeira pode estar sendo resgatada e ensinada para as crianças de hoje, assim como as demais. Podem-se resgatar brincadeiras da cultura de cada família dessas crianças para ampliar formas de aprendizagem das crianças.

b) Quais as brincadeiras que as crianças com as quais vocês trabalham, mais gostavam de brincar?

Professor – 1: montar pecinhas de encaixe, escorregador e de bola.

Professor - 2:  pecinhas de encaixe, bola, escorregador e na areia.

Professor - 3: pecinhas de encaixe, bola, escorregador e na areia.

Professor – 4: pecinhas de montar, escorregador e piscina.

Fica evidente que nessa faixa etária as brincadeiras que mais chamam a atenção das crianças acontecem no parque (escorregador) e pecinhas de encaixe.

Com essas brincadeiras, a criança desenvolve a criatividade e habilidades de manipulação; estimula sua expressão artística, sua curiosidade e imaginação; aprende a planejar e solucionar problemas e a conhecer cores;  estimula a socialização e cooperação.

 c) O que você leva em consideração quando planeja uma atividade lúdica para as crianças?

Professor – 1: levo em consideração a melhor forma de passar o ensino para que elas se desenvolvam e aprendam.

Professor - 2: penso em como elas vão reagir e no objetivo que eu quero com aquelas crianças.

Professor - 3: no desenvolvimento e na aprendizagem.

Professor – 4: o que a criança mais gosta de fazer.

Os professores responderam dentro de suas práticas, pensando nas metodologias que aplicam no cotidiano da escola. Entretanto, é evidente que estão agindo fundamentados nos pesquisadores que sustentam que o papel do professor é ser mediador; escutar as questões levantadas pela curiosidade e descobertas das crianças; interferir nas atividades questionando-as  e dando sugestões; construir um ambiente estimulador, trazendo novos recursos para serem explorados, no qual a criança possa se desenvolver. 

d) Qual a importância da brincadeira para a aprendizagem da criança?

Professor – 1: é importante para o desenvolvimento motor, para estimular a curiosidade e a forma de raciocínio.

Professor – 2: é a base do desenvolvimento na Educação Infantil.

Professor – 3: é fundamental para a aprendizagem principalmente na Educação Infantil.

Professor – 4: é o alicerce do conhecimento e da aprendizagem.

Também nessa questão os professores estão amparados nos teóricos que sustentam que a brincadeira é essencial para o desenvolvimento motor, para despertar vários estímulos, aguçar os sentidos e fundamenta as aprendizagens.

Segundo Maria Angela Barbato Carneiro,

“O brincar permite o exercício contínuo do aprender a conhecer, pois, brincando, a criança conhece o mundo nas múltiplas interações que estabelece com ele, uma vez que, para desenvolver-se, é necessário que ela se envolva em atividades físicas e mentais. Aprende, também, a relacionar as coisas e a ir além dos princípios gerais que as envolvem.”  

e) Que atitudes você acha que o professor de Educação Infantil pode tomar quando perceber que algumas crianças demonstram certas dificuldades em participar de atividades que acontecem fora do ritmo pré- estabelecido? Você já teve um problema como este?

Professor – 1: estimular a curiosidade dele para envolvê-lo na brincadeira; nenhum caso.

Professor – 2: incentivar, pegar na mão, insistir não desanimar, nenhum caso.

Professor  – 3: incentivar, estimular, nenhum caso.

Professor – 4: estimular; vai você consegue! Se precisar, pegar na mão, eles sempre brincam daquilo que gostam; nenhum caso,.

Ainda que os professores não tivessem citado nenhum caso, sabemos que isso ocorre com alguma frequência na educação infantil, principalmente nessa faixa etária de 3 a 4 anos. Isso pode se acontecer por diversos motivos individuais ou de rejeição ao ou pelo grupo.

O professor precisa ser mediador, estimular e oferecer ambientes estimuladores, é muito importante para o aparecimento da fantasia. Além de estar atento quanto à individualidade e a socialização da criança.

Brincar junto com a criança passa segurança, e ajuda no seu desenvolvimento.  A criança que confia no professor não tem dificuldades de participar das atividades propostas e interage muito bem com adultos e outras crianças. Porém deve-se ter o cuidado para não obriga a criança a fazer atividades que não gosta ou não sinta prazer.

f) Qual a dificuldade encontrada por você, professor, na hora de brincar?

Professor: tenho dificuldade em organizar as crianças.

Professor – 2: falta de brinquedos pedagógicos.

Professor – 3: Existem crianças que não participam essa é minha dificuldade.

Professor – 4: preciso conhecer mais brincadeiras.

           Encontramos aqui uma pequena contradição: um dos professores pesquisados que mais acima afirmou não ter nenhum caso de crianças que se recusam a participar, aqui assegurou “têm crianças que não participam” e completou “essa é minha dificuldade”. Isso ocorre porque o professor pode não ter entendido direito a pergunta, ou não querer demonstrar que tem dificuldades em estimular as crianças.

Outros dois pontos importantes nessa questão foram: um dos professores respondeu que tem dificuldades em organizar as crianças, essa é uma constatação regular na conversa entre professores. Realmente não é fácil organizar as crianças de 3 e 4 anos para atividades que elas estão ansiosas para brincar. O outro ponto importante foi que o professor declarou precisar conhecer mais brincadeiras. É verdade, os professores precisam resgatar suas brincadeiras de infância, trocar atividades uns com os outros, além de adquirir livros sobre brincadeiras. Mas há também a possibilidade de pesquisar em sites especializados na internet.

Não é necessário possuir brinquedos muito elaborados para as crianças brincarem, qualquer objeto vira brinquedo para elas, por exemplo, um cabo de vassoura pode virar um cavalinho. O que importa é o planejar, o organizar, o estimular, o buscar conhecimento, o brincar junto com a criança, assim o professor vai contribuir com o desenvolvimento de suas crianças.  No entanto, os objetos não devem oferecer qualquer tipo de risco para a segurança da criança. Brinquedos regulamentados já vêm de fábrica com a idade adequada escritas nas embalagens.

g) Qual a importância de resgatar brincadeiras da cultura popular brasileira?

Professor – 1: resgatando as brincadeiras da nossa cultura, estamos valorizando a cultura popular brasileira.

Professor – 2: estaremos valorizando a diversidade da cultura popular brasileira.

Professor – 3: estaremos enriquecendo o brincar na educação infantil.

Professor – 4: é importante resgatar nossas raízes ensinando para as crianças a  valorizar sua cultura.

É verdade que resgatando as brincadeiras de nossa cultura estaremos valorizando a cultura popular brasileira, mas, isso responde apenas em parte a questão acima que é qual a importância de resgatar brincadeiras da cultura popular brasileira.

Os professores que responderam à questão, ainda que resgatem as brincadeiras de suas infâncias, demonstraram que possuem base teórica insuficiente em relação à cultura popular brasileira. Serão necessárias algumas leituras e participação em curso de formação sobre o tema para poderem fundamentar suas práticas pedagógicas na proposta da cultura popular. 

A brincadeira é um contexto social e cultural e a criança não nasce sabendo ela aprende através das relações preestabelecidas com o meio e com as pessoas com as quais convivem.   

h) Que importância tem uma interação entre adultos e crianças numa atividade lúdica?

Professor – 1:  confiança da criança com o professor.

Professor – 2: o professor participando junto com a criança.

Professor – 3: concordo com o professor dois.

Professor – 4: é importante para o estimulo da criança.

Também nessa questão os professores responderam sem a fundamentação devida. Essa interação entre adulto e criança é necessária para  a criança se sentir segura em relação ao que está sendo proposto a ela.  Para Eliana Bhering (2009),

A interação adulto e criança como foco central do planejamento na educação infantil nos alerta para um currículo que valoriza a ação e voz da criança, para o desenvolvimento das habilidades observacionais do professor para que diálogos produtivos com as crianças estejam presentes, e acima de tudo, permite e desencadeia experiências que serão relevantes para todos aqueles envolvidos em uma sala da educação infantil.  

i) Para aprendizagem da criança é necessário ter variedade de brinquedos?

Professor – 1: sim, pois o professor pode trabalhar melhor.

Professor – 2: é bom ter variedades.

Professor – 3: acredito ser importante, mas não necessários, o professor tem que ser criativo.

Professor – 4: o professor tem que usar sua criatividade e formular várias brincadeiras sem ter variedade de brinquedos.

Nesta questão as respostas foram evasivas e se dividiram entre os acham que sim e justificaram que melhora o trabalho do professor; e aqueles que responderam que o professor “tem que ser” criativo.

É verdade que o professor precisa usar da criatividade, mas também é verdade que uma variedade de brinquedos favorece diversas atividades e, consequentemente, a aprendizagem. Talvez as respostas tenham sido dadas em função de brinquedos adquiridos no mercado, ou seja comprados. Não se deve esquecer, no entanto, o brincar é o fundamento e o brinquedo é meio, um objeto usado para ilustrar uma brincadeira. Isso não significa que o brinquedo tenha pouco valor, sua importância está aliada a estimulação que provoca na criança.

j) Como profissionais da educação infantil, o que podemos fazer para resgatar as brincadeiras populares da cultura brasileira?

Professor – 1: trazer nossas brincadeiras de infância.

Professor – 2: buscar conhecer a cultura da criança.

Professor – 3: pedir aos pais quais as brincadeiras que eles brincavam para poder ensinar aos seus filhos.

Professor – 4: ensinar as crianças brincadeiras de nossa infância.

O brincar faz parte da educação do ser humano. Através do brincar a criança aprende a cultura dos mais velhos e se insere nos grupos e conhece o mundo que está ao seu redor. 

 


CAPÍTULO III

BRINCADEIRAS DESENVOLVIDAS DURANTE A PESQUISA

1.    Passando a bola

Só precisamos de uma bola ou qualquer outro objeto como por exemplo, papel de jornal ou revistas velhos.

Primeiro em círculo sentados cada um rola a bola para o outro colega, assim que todos terminarem, ficamos de pé e passamos a bola pela direita depois pela esquerda, em seguida todos em fila passa a bola por cima e depois por baixo.

Com essa brincadeira é possível:

*Trabalhar lateralidade;

*Estimular a coordenação viso motora;

*Noções baixo em cima, direta e esquerda, de rolar. 

2.  Boliche

Vamos precisar de5 garrafinhas pet e uma bola, essa pode ser feita de meias velhas.

Colocamos as garrafinhas uma do lado da outra. Uma criança de cada vez pega a bola e arremessa nas garrafinhas, todos contam juntos quantas derrubaram, continua a brincadeira até todos participarem ou cansarem.

Com essa brincadeira é possível:

*melhorar a habilidade de arremessamento da criança

*ensiná-la a controlar a força (tono muscular)

*ajuda a ter noção de distância e quantidade

*se for garrafinhas coloridas pode-se trabalhar cores

  3. Pequenos desafios

No pátio do C.E.I., organizamos pequenos desafios para as crianças usando, 1 mesa, 2 bancos grandes e 1 pequeno, vários bambolês.

O desafio era passar por baixo da mesa, por cima dos bancos e por fim pular os bambolês, primeiro um de cada vez e depois todos juntos um atrás do outro.

Com essa brincadeira é possível:

*noções em baixo em cima;

*noções engatinhar, andar e pular;

*noções subir e descer.

4. Brincadeiras de parque

(escorregador, gira-gira, balanço, gangorra, túnel de tubo, pneus, areia)

Com essas brincadeiras é possível:

*potencializar a sua capacidade para adquirir confiança em si mesmo e nos outros;

* ajudar na superação do medo diante de uma situação nova;

* aumentar seu dinamismo e sua segurança no que se refere às coordenações gerais;

*estimular a percepção espacial;

*potencializar a sua capacidade para apreciar diversas velocidades de movimento;

*favorecer a multiplicidade de situações;

*estimular e a socialização e cooperação;

*estimular sua habilidade de manipulação;

*desenvolver o sentido de tato;

*estimular sua criatividade.

5. Piscina

(baldinhos, bolinhas coloridas, bichinhos aquáticos)

*permitir a liberação de energia;

*trabalhar a importância da água;

*desenvolver seus hábitos de higiene;

*estimulá-lo a descobrir o meio aquático;

*favorecer a coordenação óculo-manual;

*desenvolver a sua capacidade de observação.

6. Massinha de modelar

(com moldes, rolo ou com as próprias mãos)

Com essa brincadeira é possível:

*fazer perceber a solidez dos materiais;

*estimular a sua expressão artística;

*desenvolver a criatividade da criança;

*desenvolver sua habilidade de manipulação;

*ensiná-lo por meio do exemplo e da imitação;

*ensinar a reconhecer as cores.

7. Encaixes

Vamos precisar de uma caixa de papelão de tamanho médio e algumas peças geométricas de formas e cores variadas.

Colocamos a caixa virada para baixo e recortamos, em seu fundo, as formas das figuras geométricas (por exemplo: uma redonda uma quadrada e outra triangular).

As crianças devem introduzir as peças geométricas na caixa e, para isso, necessitará que cada peça coincida com a forma do buraco da caixa.

Depois da demonstração, mostramos-lhe como recuperar as peças do interior da caixa e, então, deixamos que brincassem sozinhos.

Observação: podemos incluir peças que não se encaixe em nenhum buraco para dificultar.

Será possível com essa brincadeira:

*ajudar as crianças distinguir as formas;

*desenvolver sua coordenação óculo- manual;

*incitá-la a persistir para conquistar o que deseja;

*ensiná-la a planejar e a solucionar problemas;

*ensinar a conhecer cores.

8. Brincadeiras de roda

Será possível com essa brincadeira:

*estabelecer laços de amizade e companheirismo;

*socialização e interação entre criança /adulto e criança /criança;

*cooperação e regras.

9. Brincadeiras com cordas

(passar por baixo, por cima, fazer cobrinha, ponte, cabo de guerra e outras).

Com essas brincadeiras será possível:

*favorecer a coordenação da percepção ocular da criança;

*desenvolver nela a habilidade de coordenação motora;

*ajudar a criança adquirir noção de distancia;

*melhorar  o controle psicomotor da criança;

*combinar diversos movimentos;

*melhorar o controle da postura da criança;

*fazer com que pratique a sincronização.

 

10. Contando histórias

(podem ser contada por adultos (professores ou pais)ou pelas crianças, com fantoches, marionetes, dedoches, com tapetes, aventais, caixas de histórias)

Com essa brincadeira será possível:

*melhorar a capacidade de concentração da criança;

*desenvolver sua memória;

*estimular sua imaginação e seu gosto por livros;

*desenvolver sua linguagem.

  Essas brincadeiras foram desenvolvidas durante minha pesquisa de campo no decorrer PROJETO DE ESTUDO.


 

CONCLUSÕES

 

   A pesquisa possibilitou a observação de que a criança se interessa mais por atividades lúdicas. As crianças que têm diversidade de brincadeiras são as mais cooperativas, as mais criativas, têm autonomia em suas ações e socializam melhor, elas devem continuar estimuladas nessas atividades aprimorando ainda mais seus conhecimentos.

  Outro ponto importante observado nessa pesquisa é que os professores e crianças necessitam de espaços mais amplos, porque através deles é permitido não apenas o movimento em sua plenitude, as várias opções, a exploração do ambiente, mas também a brincadeira coletiva, e a liberdade de sentir, perceber imaginar, criar regras e respeitar-se mutuamente.

  Quanto mais amplo e estimulante for o espaço, e mais variedades de brincadeiras as crianças tiverem, além de oportunidades de interação com o seu meio, com o outro, melhor será seu desenvolvimento e sua aprendizagem.         

O brincar, na educação infantil, não é apenas mais um verbo. Deve ser uma atividade constante, servir como processo pedagógico, recurso didático e sempre estar atrelado aos dois outros verbos: Cuidar e Educar.

 

AUTOAVALIAÇÃO

 

  No decorrer do projeto encontrei dificuldades na troca de experiência com os professores, pois demonstraram certa resistência, e pouco interesse no questionário oferecido, as respostas ficaram vagas. Conforme surgia assunto nas formações continuadas sobre meu projeto fazia minhas anotações.

  Aprendi com esse projeto que devemos estar em constante busca do conhecimento e resgatando a nossa cultura e que a brincadeira é uma forma prazerosa de se ensinar e de aprender junto com as crianças, a brincadeira pode ser simples, mas de muita importância para o aprendizado e o desenvolvimento da criança.

  O que mais gostei durante o período de pesquisa, foram as práticas realizadas por mim, resgatei algumas brincadeiras de minha infância e ensinei para as crianças, procurei explorar o máximo o ambiente do C.E.I. e os materiais oferecidos (parque, campo, piscina, bambolês,  bolas, e outros), também reciclei alguns objetos como caixas, garrafas pet para usar nas brincadeiras.

  Não poderia deixar de ressaltar a importância dos livros de estudo do Proinfantil que me ajudaram muito nessa caminhada. Através das leituras compreendi a importância das fundamentações teóricas para com nossas práticas, assim como,  planejar atividades lúdicas  é fundamental para a aprendizagem da criança.

O professor que trabalha com educação infantil não pode deixar de pensar no cuidar/educar/brincar, na verdade esses três aspectos se constituem em um só, portanto, o cuidar/educar/brincar não podem ser pensados nem trabalhados de forma separada, mas sim juntos um auxiliando o outro de maneira que a criança seja o centro.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BROUGÉRE,Gilles.  Brinquedos e companhia. São Paulo: Cortez, 2004.

CARNEIRO, MARIA Angela Barbato. A descoberta do Brincar, São Paulo: Editores Melhoramentos/Editora Boa Companhia, 2007 – (Patrici Secco).

LOPES, Karina Rizek livro de estudo módulo II, Vitória Líbia Barreto de Faria, Organizadora - Brasília: MEC. Secretária de Educação Básica.Secretária de Educação a Distância, 2005. (Coleção Proinfantil; unidade 7).

OLIVEIRA, Z. M. R.; ROSSETTI FERREIRA, M. C. O valor da interação criança - criança em creches no desenvolvimento infantil. Cadernos de pesquisa 87. São Paulo: Cortez, 1993.

SALLES OLIVEIRA, Paulo de . O que é brinquedo. São Paulo: Brasiliense, 1984.

TUDGE, J. Vygotsky, a zona de desenvolvimento proximal e a colaboração entre pares: implicações para a prática em sala de aula. In: MOLL, L. C. Vygotsky e a educação: implicações pedagógicas da psicologia sócio-histórica. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996, p. 151-168.

 

http://www.google.com.brBR&source=hp&q=Interação Adulto criança nas brincadiras infantis 9:30 em 06 de junho de 2011.

 

 

 

 

Autor: ROSELI MACHADO DE ARAUJO BRUSCHI

Montagem: Vitorio Helatczuk

Comentários  

 
0 #10 anaci 03/04/2013 12:21
SOU PROFESSORA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
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0 #9 anaci 03/04/2013 12:20
GOSTEI MUITO OK
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0 #8 LORRAN ALAX 19/03/2013 18:36
LEGAU
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0 #7 Sheila Leal 24/02/2013 23:44
Gostei muito seu projeto simples mas dinamico e isso que é importante . Parabéns
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0 #6 rosangela luz 14/02/2013 05:19
muito importante ter variedade de brincadeira só assim nossos alunos fica muito mais feliz,essa dica é muito objetiva gostei...
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0 #5 marcia ricardo 09/01/2013 20:24
para usar na turma
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0 #4 Paula ferreira 29/10/2012 20:11
muito legal
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0 #3 Lucia Santos 13/07/2012 10:26
Gostei bastante de seu trabalho.
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-1 #2 Lucia Santos 13/07/2012 10:25
Gostei bastante de seu projeto
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-1 #1 barbosa 28/05/2012 21:22
adorei seu projeto
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