PROGRAMA DE FORMAÇÃO INICIAL PARA PROFESSORES EM EXERCÍCIO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

 

TÍTULO:

 

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA DE 0 A 5 ANOS

EIXO:

O DESENVOLVIMENTO INFANTIL

 

ÁREA TEMÁTICA:

LINGUAGEM: Educação Física e Artes

 

 

AUTORA: SINARA ELOANA LANZ

 

TUTORA:MÁRCIA FRANÇA MACIEL EBERHARDT

 

ORIENTADOR: WILSON APARECIDO PEREIRA

 

AGF/CEFAPRO – JUINA

 


JUINA – MT.

JUNHO – 2011

 

Trabalho apresentado à agencia Formadora do Cefapro no Programa Proinfantil, como parte das exigências para obtenção do certificado de conclusão do curso.


DEDICATÓRIA

 

Dedico este trabalho a meu esposo que me apoiou e me deu força para que eu não desanimasse, mantendo-me firme nesta caminhada, e pela paciência que teve em suportar todas as vezes que faltei em função do curso.

Dedico à minha filhinha por estar sempre ao meu lado e compreender as vezes que estava cansada e não dei atenção às suas necessidades.

Dedico também ás minhas amigas Sirleia, Sirlei e Gislaine, por terem estado ao meu lado nestes dois anos de curso. Depois que nos unimos, essa caminhada ficou mais fácil.

Também ao professor Wilson, que desde a segunda parte do projeto está me acompanhando com tanta paciência e dedicação, sempre me mostrando o caminho a seguir.

A todos que me ajudaram e me deram força um forte abraço, e um muito obrigado.

                                                               


AGRADECIMENTO

 

Agradeço em primeiro lugar a Deus, por me dar muita saúde e força para seguir nesta caminhada. Também aos meus pais por estarem sempre ao meu lado me apoiando, e me mostrando o que é o certo e o errado.

 


APRESENTAÇÃO

 

Este trabalho de pesquisa tem como objetivo investigar e observar a importância que a brincadeira pode oferecer à aprendizagem e ao desenvolvimento da psicomotricidade infantil. Para tanto, primeiramente foi feito um apanhado de autores que tratam do brincar como ferramenta de desenvolvimento e tentou-se definir os termos brinquedo e brincadeira. Posteriormente, foi feita uma observação apurada nos procedimentos didáticos pedagógicos de alguns professores que trabalham na Educação Infantil e analisada tais práticas à luz dos teóricos citados anteriormente. A brincadeira é vista na literatura como um recurso que pode estimular o desenvolvimento infantil e proporcionar meios facilitadores para a aprendizagem escolar. O que se pode concluir é que, utilizar a brincadeira como um recurso escolar é aproveitar uma motivação própria das crianças para tornar a aprendizagem mais atraente. Entretanto, o meio escolar encontra dificuldades que impedem a utilização do recurso da brincadeira como um facilitador para a aprendizagem.

 


INTRODUÇÃO

A sociedade contemporânea está em constante transformação, com isso aparecem algumas discrepâncias nos papéis e valores. Ela produz mais informação do que pode absorver. As antigas donas de casa agora trabalham fora, a tecnologia muda a cada lançamento pela competitividade do mercado, a família vem sofrendo transformações na base, a criança mudou – alguns dizem que já nascem sabendo, o aluno e a escola também mudaram.

A tecnologia transformou as formas de brincadeiras. As crianças  não podem mais brincar na rua: jogar bola, pular amarelinha, passar anel, feijão queimado, brincadeiras de salva foram substituídos por jogar videogames e outros jogos de computador, ignorando as benesses dos raios do sol que insistem em brilhar, convidando-nos a todos para as brincadeiras na rua.

Essas mudanças geram confusão e expectativas, o que justifica a escolha do tema que trata da importância do brincar, ou ainda, como o lúdico pode interferir no desenvolvimento de uma criança, especialmente aquelas entre 0 e 5 anos. E as escolas de educação infantil, como estão tratando a questão? Os professores estão sendo preparados para resgatar as brincadeiras? A algazarra, a brincadeira, os jogos, as disputas que envolvem corridas, saltos, arremessos como estão sendo tratados pela escola da primeira infância?

No presente trabalho de pesquisa pretende-se investigar sobre a importância do brincar e da brincadeira no desenvolvimento da criança de 0 a 5 anos, verificando o papel da família no desempenho escolar das crianças e no processo de inclusão do brincar no quesito educacional, e a influência de seus valores no desempenho e influência escolar do aluno.

Além disso, apresentar a influência do brinquedo e as vantagens que a brincadeira traz para o desenvolvimento da criança; localizar as dificuldades encontradas pelos educadores em utilizar a brincadeira como ferramenta pedagógica e se a brincadeira pode propiciar as condições para um desenvolvimento saudável da criança. Além de incentivar a conscientização dos pais e educadores sobre um trabalho conjunto para a introdução do brinquedo na aprendizagem da criança.

 

 

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A finalidade principal deste trabalho é compreender o papel da brincadeira no desenvolvimento infantil, e dessa forma, utilizá-la como ferramenta pedagógica. A maioria dos pensadores e educadores que trabalham com esse tema ressalta a importância da brincadeira no processo de aprendizagem e socialização. Infelizmente, não é difícil observar nas práticas cotidianas que a brincadeira deixou de fazer parte do projeto pedagógico de algumas escolas e da ação do professor. E quando aparecem, falta objetividade.

Para desvelar essa problemática a pesquisa buscou investigar junto aos aportes teóricos que dão sustentação ao brincar, enquanto ferramenta para o desenvolvimento motor da criança, e procurou pesquisar algumas atividades mais utilizadas no Centro de Educação Infantil em que trabalhamos com o intuito de oferecer material aos interessados pelo assunto; também foi feita pesquisa de campo com professores que atuam com crianças na faixa etária aqui definida, para compreender os argumentos em favor de suas ações.

A pesquisa de campo não se utilizou de qualquer tipo de questionário ou entrevista, foi sustentada apenas na observação e anotação cotidiana, compreendendo dessa forma, uma investigação qualitativa pautada no planejamento, na observação, no registro e na análise dos dados obtidos.

 

CAPÍTULO I

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

 

O aparecimento da pré-escola no Brasil se deu sob as bases da herança dos precursores europeus que inauguraram uma tradição na forma de pensar e apresentar  proposições para a educação da criança nos jardins de infância, diferenciadas das proposições dos modelos escolares.

      O modelo proposto por Fröebel orientou muitas experiências pioneiras no Brasil, da mesma forma que  Montessori e Decroly também integram grande parte das práticas que proliferam no país, modelo este que privilegia o cuidar, em detrimento do educar, num jardim em que a criança é a  semente e a professora a jardineira.

      Hoje, as influências teóricas e contextuais avançaram nas formas de pensar e fazer a educação das crianças de zero a seis anos. As contribuições de Piaget, Emília Ferreiro, Freinet, Vygotsky,  Wallon, entre outros, assim como  experiências concretas na realidade brasileira, permitem uma perspectiva em que se prioriza na Educação Infantil as bases  primeiras de formação para cidadania, percebendo-se a criança como um ser humano pleno. Os primeiros anos de vida são de extrema importância para a formação do ser humano, tendo em vista a concepção da criança como um indivíduo em sua totalidade. Este fato torna cada vez mais evidente a preocupação que se deve ter com a criança de zero a seis anos.

      A teoria de Piaget para a prática da educação infantil merece destaque porque alguns princípios básicos que a orientam e enfocam a importância da ação, o simbolismo, a atividade de grupo, a integração das áreas  do conhecimento, tem como eixo central as atividades.

      O brincar é uma das formas mais comuns do comportamento humano, principalmente durante a infância. Infelizmente, até há relativamente pouco tempo, o brincar era desvalorizado e menosprezado, destituído de valor a nível educativo. Com o evoluir dos tempos, atravessa-se uma mudança na forma como se percebe o brincar, e a sua importância no processo de desenvolvimento duma criança.

 

 

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Piaget (1976, 160) diz que a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança. Estas não são apenas uma forma de desafogo ou entretenimento para gastar energia das crianças, mas meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual. Ele afirma:

"O jogo é, portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercício sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação da real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso, os métodos ativos de educação das crianças exigem todos que se forneça às crianças um material conveniente, a fim de que, jogando, elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, permanecem exteriores à inteligência infantil". (Piaget 1976, p.160).

 

Outro que merece atenção pela propriedade e competência com que trata o tema é Wallon em seus inúmeros comentários quando evidenciava o caráter emocional em que os jogos se desenvolvem, e seus aspectos relativos à socialização. Referindo-se a faixa etária dos cinco anos, Wallon (1979, 210) demonstra seu interesse pelas relações sociais infantis nos momentos de jogo:

"A criança concebe o grupo em função das tarefas que o grupo pode realizar, dos jogos a que pode entregar-se com seus camaradas de grupo, e também das contestações, dos conflitos que podem surgir nos jogos onde existem duas equipes antagônicas".(Wallon p.210)

 

A brincadeira povoa o universo infantil desde os tempos mais remotos da História. Através dela a criança apropria-se da sua imagem, seu espaço, seu meio sócio-cultural, realizando inter e intra-relações. Segundo o Referencial Curricular para a Educação Infantil, o Brincar é um precioso momento de construção pessoal e social, "Soubéssemos nós adultos preservar o brilho e o frescor da brincadeira infantil, teríamos uma humanidade plena de amor e fraternidade. Resta-nos, então, aprender com as crianças." (Monique Deheinzelin).

Portanto, não resta dúvida de que a brincadeira contribui para o processo de socialização das crianças, proporcionando-lhes oportunidades de realizar atividades coletivas livremente, além de ter efeitos positivos para o processo de aprendizagem e estimular o desenvolvimento de habilidades básicas e aquisição de novos conhecimentos.

 

 

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No ato de brincar, as crianças modificam a realidade, ultrapassando-a através da imaginação. Assim, expressam aquilo que teriam dificuldades em fazer através do uso de palavras. As brincadeiras e os jogos das crianças não são apenas imitações do que vêem os adultos realizarem. Elas sempre modificam de alguma forma, transformando o sucedido na realidade. O que acontece é uma transformação criativa daquilo que foi percebido anteriormente para a formação de uma nova realidade, que satisfaça às necessidades e exigências da própria criança, ou seja, reinventam a realidade.

Segundo Jean Piaget, o brincar apresenta características diferentes de acordo com a maturação das estruturas mentais, existindo,  3 etapas fundamentais:

Dos 0 aos 2 anos de idade- Quando ocorrem os denominados Jogos de Exercício. Nesta fase, a criança adquire competências motoras e aumenta a  autonomia. Ao invés de berço, paulatinamente vai preferindo ficar no chão. Ainda que sua fala não seja compreensível para os adultos, é possível perceber a alegria da vitória a cada tentativa, e á medida que o som vai se assemelhando, mais feliz o bebê saudável vai ficar. Também demonstra prazer ao nível da descoberta do seu corpo através dos sentidos.

É de fácil percepção que brincadeiras mais atraentes são aquelas em que é possível explorar objetos através dos sentidos, da ação motora, e da manipulação - características dos "jogos de manipulação". Estes jogos oferecem sentimentos importantes de poder e eficácia, bem como fortalecem a auto-estima. Deste modo, constituem peças fundamentais para o desenvolvimento global da criança.

Entre os dois e os seis/sete anos de idade- A simbologia surge com um papel fundamental nas brincadeiras, como são exemplo o "faz de conta", as histórias, os fantoches, o desenho, o brincar com os objetos atribuindo-lhes outros significados, etc. Os jogos simbólicos são possíveis dado que, nesta fase, a criança já é capaz de produzir imagens mentais. A linguagem falada permite-lhe o uso de símbolos para substituir objetos.

 

 

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O jogo simbólico oferece à criança a compreensão e a aprendizagem dos papéis sociais que fazem parte da sua cultura (papel de pai, de mãe, filho, médico, etc.).

A partir dos sete anos de idade – Por fim, as brincadeiras e jogos com regras tornam-se cruciais para o desenvolvimento de estratégias de tomada de decisões. Através da brincadeira, a criança aprende a seguir regras, experimenta formas de comportamento e socializa, descobrindo o mundo à sua volta. No brincar com outras crianças, elas encontram os seus pares e interagem socialmente, descobrindo desta forma que não são os únicos sujeitos da ação e que, para alcançarem os seus objetivos, deverão considerar o fato de que os outros também possuem objetivos próprios que querem satisfazer.

Nos jogos com regras, os processos originados e/ou desenvolvidos são outros, uma vez que nestes o controlo do comportamento impulsivo é diferente e necessário. É a partir das características específicas de cada jogo que a criança desenvolve as suas competências para adaptar o seu comportamento, distanciando-o cada vez mais da impulsividade. Nestes jogos, os objetivos são dados de uma forma clara, devido à sua própria estrutura, o que exige e permite, por parte da criança, um avanço na capacidade de pensar e refletir sobre as suas ações, o que lhe permite uma auto-avaliação do seu comportamento moral, das suas habilidades e dos seus progressos.

As crianças brincam de faz de conta e inventam. Ora são fadas, ora são bruxas. Podem ser professoras, médicas, mães ou pais, com mudanças de papéis em questão de minutos. A brincadeira para elas não tem um valor de passatempo, mas de criar recursos para enfrentar o mundo com os seus desafios. O fazer de conta, em geral, cria situações que as auxiliam no desenvolvimento da criatividade e da autonomia.

Durante as brincadeiras em grupo, as crianças têm a possibilidade de enfrentar os desafios propostos em prol do equilíbrio nas relações sociais. Trata-se de uma aprendizagem para a vida adulta, já que é uma maneira de elas aprenderem a lidar com as suas frustrações.

O brincar também auxilia as crianças na hora de lidar com os seus conflitos ou com situações de sofrimento. Dependendo da faixa etária, pode se tornar difícil falar de uma determinada vivência dolorosa. Mas, ao brincar, elas demonstram os seus sentimentos, além de se sentirem acolhidas. Um exemplo é o período de internação infantil, em que brincar de médico se torna um recurso importante. A criança passa do papel de paciente passiva para ativa ao cuidar de um boneco dodói.

 

 

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A partir dessa situação, os adultos próximos conseguem entender qual é a compreensão dela sobre a situação vivida, o que auxilia no oferecimento do suporte necessário de tratamento.

Brincar é uma importante forma de comunicação e, por meio dela, a criança pode reproduzir o seu cotidiano. Mas vale lembrar que cada faixa etária tem uma necessidade e um interesse diferentes durante a brincadeira. Crianças muito pequenas têm maior dificuldade em dividir os seus brinquedos, enquanto as maiores gostam de jogos em grupo.

O brinquedo não precisa ser caro, mas seguro e criativo. Assim, as sucatas coloridas podem ser um importante recurso para a confecção de objetos, como jogos de boliche, da velha e de encaixe, além de bonecos e fantoches, entre tantos outros. Para isso, basta apenas saber brincar.

I.1 - O BRINQUEDO

Para a pedagogia, um brinquedo é qualquer coisa ou objeto que à criança é permitido utilizar na ação de brincar. Alguns deles possibilitam  aos pequenos divertirem-se enquanto, ao mesmo tempo, os ensinam sobre um assunto qualquer, inclusive de caráter científico. Brinquedos, muitas vezes, ajudam no desenvolvimento bio-psico-motor da criança, especialmente aqueles usados em jogos cooperativos.

Os brinquedos são de vital importância para o desenvolvimento e a educação da criança, por propiciar o desenvolvimento simbólico, estimular a sua imaginação, a sua capacidade de raciocínio  e a sua auto-estima. Podem ser utilizados em tratamento psicoterapêutico na Ludoterapia, com crianças com problemas emocionais causados por fatores variados, ou que apresentam distúrbios de comportamento ou baixo rendimento escolar. Caminhõezinhos, carrinhos em miniatura, bonecas, bolas, ursos de pelúcia, ioiôs são exemplos de brinquedos. O ato de brincar em si, geralmente não exige um brinquedo, que seja um objeto tangível, pode acontecer como jogos simbólicos (faz-de-conta).

 

 

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Segundo o estudioso holandês JOHAN HUIZINGA (1980), não se brinca a não ser por iniciativa própria ou por livre adesão. Um brinquedo obrigatório perde o caráter de brinquedo; é, evidentemente, outra coisa qualquer.

O brinquedo é definido pelo próprio participante como fictício, como não real, como estranho à vida efetiva (é de brincadeira, não é a sério); todavia, é capaz de absorver inteiramente o indivíduo, que se afasta da realidade. Mesmo sendo uma atividade espontânea, o brinquedo desenvolve-se dentro de limites e de lugar estabelecido e, sobretudo segundo normas próprias.

Não há um brinquedo sem as regras do jogo.  HUIZINGA menciona, por fim, um último caráter que se refere à sociabilidade da atividade lúdica. A maior parte dos brinquedos tem caráter coletivo e a participação coletiva em um brinquedo cria determinadas ligações afetivas que são típicas e importantes.

Os bons brinquedos são geralmente aqueles que a criança pode usar de várias maneiras. Os brinquedos que mais ajudam as crianças a se desenvolverem, são aqueles adequados aos seus interesses e às suas necessidades de aprendizagem.

À medida que a criança vai se desenvolvendo física e mentalmente, a margem de escolha de brinquedos aumenta. Aos poucos ela começa a manifestar preferências por brinquedos socialmente considerados como mais adequados para seu sexo (classificação imposta pelos adultos). Muitas crianças se apegam a algum brinquedo, que passa a ocupar um lugar especial em sua vida e em seu desenvolvimento.

Na opinião de SALLES (1984), os brinquedos podem suscitar na criança longos momentos de contemplação e êxtase.

I.2 - AS BRINCADEIRAS

O jogo é um estímulo ao aprendizado e a brincadeira é coisa séria, algumas vezes o desenvolvimento do pensamento da criança é dificultado, por vários fatores e estabelecem um conjunto de causas que atrapalham a aprendizagem: como pouca atenção ao brincar, o que provoca na criança contrariedade, evita maiores contato com amigos, sempre se afasta das relações sociais e desenvolve dificuldades de trabalhar em grupo. Dessa forma, torna-se isolada, com pouca ou nenhuma vontade de agir. Para evitar isso, temos que valorizar as crianças enquanto inseridas em uma ação.

 

 

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Conforme Freinet (1896-1966), p.274, livro formação social da mente (ano 2000), “a educação deveria extrapolar a sala de aula e a integração da criança à vida social deveria ser valorizada”.

Segundo Piaget (1976). "... os jogos não são apenas uma forma de desabafo ou entretenimento, para gastar energias das crianças, mas meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual". Visto assim, o jogo é, portanto, uma assimilação da real, atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando, o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso, os métodos ativos de educação das crianças exigem a todos que se forneça às crianças um material conveniente exteriores a inteligência infantil. (Piaget 1976, p.160).

Entretanto, Vygotsky (1998) difere de Piaget. Para ele “o desenvolvimento ocorre ao longo da vida e as funções psicológicas superiores são construídas ao longo dela”. Vygotsky não se circunscreva a  fases para explicar o desenvolvimento como Piaget e os sujeitos não são ativos nem passivos: são interativos. Ele propõe que na brincadeira

"a criança se comporta além do comportamento habitual de sua idade, além de seu comportamento diário no brinquedo é como se ela fosse maior do que ela é na realidade" (p.117).

 

Na visão de Vygotsky a brincadeira cria uma zona de desenvolvimento proximal favorecendo e permitindo que as ações da criança ultrapassem o desenvolvimento real já alcançado permitindo-lhe novas possibilidades de ação sobre o mundo. Fala do faz-de-conta, e Piaget fala do jogo simbólico, e pode-se dizer segundo Oliveira (1997), que são correspondentes. "O brinquedo cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança". Livro linguagem e o pensamento da criança.


CAPÍTULO II

OBSERVAÇÃO E ANÁLISE DAS ATIVIDADES REALIZADAS

O Centro de Educação Infantil Menino Jesus possui um Projeto Político Pedagógico comprometido com o desenvolvimento integral da criança e trás como eixo principal para este desenvolvimento as atividades lúdicas que são planejadas e desenvolvidas por todas as turmas de Berçário a pré II.  Fato este que facilitou as pesquisas de campo junta às professoras e a nossa observação do trabalho desenvolvido.

Ninguém pode negar a importância do processo de aprendizagem no ser humano, uma vez que pertencemos a uma espécie cujos membros nascem sem condições de sobreviverem sozinhos, sendo completamente dependentes. Segundo Charlot, nascer é ingressar em um mundo onde se é obrigado a aprender. Portanto, essa dependência oferece um leque de possibilidades que permite à criança atingir qualquer condição, perfazer qualquer caminho, inclusive caminhos que a humanidade nunca percorreu.

No desenvolver da pesquisa realizamos entrevistas com as professoras de turmas de berçário e constatamos que a experiência é um fator considerável, pois todas já atuam na Educação Infantil há muitos anos. Outro fator que nos chamou a atenção foi o fato de todas se pautarem pelo Projeto Político Pedagógico da Escola e primarem pela brincadeira como fator primordial para o desenvolvimento pedagógico, afetivo e cognitivo da criança.

As professoras possuem uma jornada de trabalho de 30 horas semanais o que propicia momentos de realização de horas atividades e nestes momentos são realizados os planejamentos das aulas a serem ministradas, quando acontece uma interação de todas na discução do que planejar dentro do projeto já elaborado por todas,. A Escola primou pela hora atividade por turma o que facilita ainda mais, pois juntas é mais fácil a elaboração dos projetos e o desenvolvimento do mesmo.

 

 

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Constatamos que as brincadeiras utilizadas para o desenvolvimento da aprendizagem das crianças são as mais variadas, o lúdico impera de todas as formas; às vezes as brincadeiras são livres e as vezes são dirigidas, oportunizando as crianças se expressarem livremente. Outro ponto que observamos é a desenvoltura das crianças nas atividades de interpretação, o resgate das brincadeiras antigas, aquelas onde a criança constrói o seu próprio brinquedo ou aquelas do tempo da vovó, são fatores positivos desenvolvidos pelas professoras pesquisadas.

Uma peculiaridade dentro do Centro de Educação Infantil observado é que nas turmas de idade de Creche (0 a 3 anos), trabalham duas professoras, uma no período matutino e a outra no período vespertino, mas este fator na opinião das professoras não atrapalha o desenvolvimento das crianças, muito pelo contrário, é um fator que ajuda uma vez que o planejamento é realizado em conjunto, ajuda e muito, afirmam elas.

No Centro de Educação Infantil em que foram observadas as práticas de jogos e brincadeiras para o desenvolvimento da criança, pudemos notar algumas atividades psicomotoras como:

Atividades na área de Comunicação e Expressão

Exercícios Fonoarticulatórios:

 Fazer caretas que expressem tristeza, alegria, raiva, susto, etc.
Jogar beijos.
Fazer bochechos, com e sem água.
Assoprar apitos e língua de sogra.
Fazer bolhas de sabão.

Exercícios respiratórios:

inspirar pelo nariz e expirar pela boca.

Inspirar e expirar pelo nariz.
Inspirar e expirar pela boca.
Inspirar, prender o ar por alguns momentos, expirar.
Aprender a assoar o nariz, usando um lenço e tapando ora uma narina, ora outra.

Exercícios de expressão verbal e gestual:

 

 

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Contar o que vê em fotos ou gravuras, começar com gravuras que contenham poucos elementos.
Contar a história de seus próprios desenhos.
Brincar de "o que é o que é"? Uma criança diz : "É redonda, serve para jogar e para chutar". A resposta é: "Uma bola".
Imitar ondas do mar, mesa, animais, etc., somente com gestos.
Imitar algo, somente com gestos, para os colegas advinharem o que é, se for preciso, usar sons.

Atividades na Área da Percepção

Exercícios de Percepção Tátil:

Apalpar sacos e pacotes com as mãos, a fim de adivinhar que objetos estão dentro.
Reconhecer colegas pelo tato.
Andar descalço em lama, água, areia, terra, madeira, contando depois o que sentiu.
Manipular objetos de madeira para poder experimentar variações de temperatura quente, gelado, morno).
Manipular objetos de madeira para poder experimentar variações de tamanho (pequeno, médio, grande).

Exercícios de Percepção Gustativa:

Experimentar coisas que têm e que não tem gosto.
Provar alimentos em diferentes temperaturas.
Provar alimentos fritos, assados, cozidos, crus.
Provar alimentos sólidos, líquidos, crocantes, macios, duros.
Provar e comparar alimentos da mesma cor, mas sabores bem diferentes: sal, açúcar, farinha de trigo comum, farinha de mandioca crua.

Exercícios de Percepção Olfativa:

Experimentar coisas que têm e que não têm cheiro.
Experimentar odores fortes e fracos, agradáveis e desagradáveis em materiais como: vinagre, álcool, café, perfumes.

Exercícios de Percepção Auditiva:

Identificar e imitar sons e ruídos produzidos por animais e fenômenos da natureza.
Procurar a fonte de onde se origina determinado som.
Brincar de cobra cega.
Tocar instrumentos musicais.
Fazer rimas com palavras.

 

 

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Exercícios de Percepção Visual:

Identificar o branco e o preto.

Reconhecer, entre muitos, objetos que têm as cores primárias - vermelho azul e amarelo.

Agrupar objetos de acordo com suas cores.

Agrupar objetos de acordo com suas formas.

Montar quebra-cabeças simples.

 

Todas essas atividades são planejadas pelas professoras semanalmente e adequadas às diversas idades, interesses e necessidades das crianças. Segundo Assunção & Coelho (1997, p.108) a psicomotricidade é a “educação do movimento com atuação sobre o intelecto, numa relação entre pensamento e ação, englobando funções neurofisiológicas e psíquicas”. Além disso, possui uma dupla finalidade: “assegurar o desenvolvimento funcional, tendo em conta as possibilidades da criança, e ajudar sua afetividade a se expandir e equilibrar-se, através do intercâmbio com o ambiente humano”.

Também foram observadas as brincadeiras tradicionais compreendidas por jogos como a amarelinha de variadas formas, corda, elástico, queimadinha, cantigas de roda, jogos de linhas e colunas como o jogo da velha, jogos da memorização, jogos de percurso como a trilha,     brincadeiras de correr, brincadeiras de acertar o alvo, brincadeiras com regras e brincadeiras que ensinam a ganhar e a perder, alem das dramatizações.

Jogos Cooperativos - A característica básica desse tipo de jogo é a união de todos os participantes contra um inimigo comum – vencer uma meta ou o próprio tabuleiro -, que pode ser representado por um personagem do jogo. Geralmente, ele possui caráter simbólico.  Essas atividades são propostas os pequenos refletirem sobre a importância de coordenar ações em conjunto e compreenderem regras estruturadas. – por exemplo, a missão de um grupo de príncipes de evitar que uma princesa seja capturada por uma bruxa malvada. Logo ao final desse tipo de jogo é recomendável que seja proposta uma reflexão acerca das vantagens de se trabalhar em grupo. Um dos erros comuns aos professores que propõem esse tipo de atividade é oferecer somente jogos cooperativos com o argumento de que competir é ruim. Essa justificativa não se sustenta. É necessário que os alunos sejam postos a todo tipo de situações e regras.

 

 

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Jogos de comparação – Esse jogo é de proveniência africana, possui mais de sete mil anos, e sua principal característica o acúmulo de peças durante determinado percurso. Eles servem para que as crianças possam comparar quantidades sobre diferentes estratégias. O professor deve deixar bem claras as regras do jogo, porém nunca deverá as estratégias, o educador deve criar situações que estimulem a garotada a encontrar sua própria estratégia.

Jogos de linhas e colunas - Tem como base um tabuleiro com linhas verticais, horizontais e diagonais, onde os jogadores devem colocar, desenhar ou mover suas peças. Os movimentos consistem basicamente na aproximação e no recuo estratégico, com variações que incluem o ato de pular determinadas casas do tabuleiro. Nesse jogo, o avanço é diferente do que ocorre no de percurso, em que ele é determinado pela sorte, com o lançamento de dados. Aqui, é preciso desenvolver estratégias desde a primeira jogada para estabelecer uma dinâmica que leve à vitória. Aqui também o educador não deve dar informações além das regras. A origem desses jogos é o Egito Antigo.

Jogos de alvos e obstáculos - Envolve a habilidade dos jogadores em acertar um alvo predeterminado para transpor obstáculos. É a recriação de um jogo celta e egípcio em que estacas de madeira fixadas no chão eram derrubadas com um bastão. Serve para a turma desenvolver a habilidade de controlar movimentos de acordo com o alvo ou os obstáculos existentes.

O brincar de faz-de-conta - O faz-de-conta é uma atividade de grande complexidade, uma atividade lúdica que desencadeia o uso da imaginação criadora. Pelo faz-de-conta a criança pode reviver situações que lhe causam excitação, alegria, medo, tristeza, raiva e ansiedade. Ela pode, neste brinquedo mágico, expressar e trabalhar as fortes emoções muitas vezes difíceis de suportar. E a partir de suas ações nas brincadeiras, explora as diferentes representações que tem destas situações difíceis, podendo melhor compreendê-las ou reorganizá-las. É comum encontrarmos essas atividades nas turmas do Centro de Educação Infantil pesquisado.

 

 

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Na observação aos alunos do CEI foi possível verificar alguns tipos de comportamento enquanto as atividades eram desenvolvidas: Atividade independente (solitária); Atividade paralela;Comportamento desocupado; comportamento observador; atividade associativa; atividade cooperativa ou organizada suplementar;
É im
portante saber que existem cinco grandes pilaressicos nas açõesdicas das crianças em seus jogos, brinquedos e brincadeiras, estes pilares são:
I. A imitação - II. O espaço - III. A fantasia - IV. As regras - V. Os valores.

 


CONCLUSÃO

 

Durante minha observação no Centro de Educação Infantil em que fiz esta pesquisa foi possível encontrar uma infinidade de atividades em forma de jogos e brincadeiras, propostas pelos profissionais daquela unidade escolar. Uma das atividades lúdicas mais utilizadas pelas colegas é a fábula. Todos os dias em alguma turma têm uma fábula para ser contada, encenada ou assistida.

Foi possível perceber que a brincadeira é de fundamental importância para o desenvolvimento infantil e que os professores observados usam e abusam dessa ferramenta, na medida em que a criança pode transformar e produzir novos significados. Em situações em que se trabalham com crianças bem pequenas, bastante estimuladas, é possível observar que rompem com a relação de subordinação ao objeto, atribuindo-lhe um novo significado, o que expressa seu caráter ativo, no curso de seu próprio desenvolvimento, este é o pensamento dos profissionais do Centro de Educação Infantil Menino Jesus acerca da aprendizagem através da brincadeira.

O aprender envolve o desenvolvimento da autonomia, do discernimento e da responsabilidade pessoal. Para isso, a educação não pode negligenciar o desenvolvimento de nenhuma das potencialidades de cada indivíduo: memória, raciocínio, sentido estético, capacidades físicas, aptidão para comunicar-se.

As brincadeiras e jogos são próprios de sua natureza, mas nem por isto devem ser menosprezados ao longo de uma caminhada; conhecer a sua realidade, seus alunos, saber intervir e participar durante estes momentos dá ao professor credibilidade, afetividade e uma infinita bagagem cultural para a realização de novos trabalhos, pois se há sintonia entre todos do grupo, o trabalho torna-se valioso sendo reconhecido pelas crianças como próprio da sua identidade e necessidade.

Reconhecido o papel de cada criança no grupo, do professor como mediador do trabalho pedagógico, pressupõe um aspecto de respeito mútuo, onde é por meio das diversidades e divergências que cada ser irá projetar-se no mundo como um indivíduo que desde a Educação Infantil tem o seu espaço reconhecido e sabe que é portador de direitos e deveres para uma sociedade tão carente de valores inerentes à nossa vida.

 

 

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Portanto, é importante a efetivação de um projeto de Educação Infantil que represente uma tendência pedagógica criativa, com fundamentação psico-sócio-cultural, cuja meta básica favoreça a implantação de escolas públicas e/ou privadas, que reconheça e valorize as diferenças existentes entre as crianças, estimulando as todas, sem distinções, no que se refere ao seu desenvolvimento pleno, à construção de sua identidade pessoal, de sua sociabilidade e de seu próprio conhecimento, de forma prazerosa e criativa, dando importância à necessidade do lúdico e do jogo, dentro das características da faixa etária em questão.

      A ação pedagógica possibilitará a interação com outras crianças, além dos adultos, pois, ao interagir com os seus pares a criança tem o seu ponto de vista confrontado com os de outras, sendo que, principalmente em situações discordantes, se sentirá motivada a rever sua idéia e a argumentar. Este conflito dará oportunidade para que a criança reflita, discuta e se posicione, exercitando a sua autonomia, seu senso crítico e a formação de valores como solidariedade e cooperação tão necessárias à vida atual.

Pude verificar também que para ser um profissional da Educação Infantil são necessárias algumas características básicas, das quais destaco:

GOSTAR DE CRIANÇAS é imprescindível que o profissional goste de crianças , afinal nesta fase elas exigem paciência e amor  a todo momento. Pressupõe-se que quem gosta de crianças, goste também de trabalhar com elas. O trabalho com pequenos requer disposição, carinho, responsabilidade e uma energia imensa, proveniente somente daquele que gosta do que faz.

A AGILIDADE é uma característica de peso considerável, pois a criança corre, pula, caí, levanta, descarrega energia e se envolve em situações  repentinas de risco, onde a agilidade do profissional pode evitar acidentes graves com os pequenos.

 BOM PREPARO FÍSICO, nesta fase a maioria das  brincadeiras são realizadas no chão, em rodas de conversa ou em círculos programados para as atividades, para tanto o profissional necessita de boa disposição física para sentar, levantar, pular, engatinhar, enfim participar de todas as atividades que propõe à criança. Além do que, os pequenos adoram presenciar adultos executando as mesmas atividades que eles.

 

 

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SER ÉTICO, assuntos relacionados à instituição e suas famílias devem ser preservados. Nesta fase é comum crianças comentarem intimidades das famílias - estes casos ajudam os profissionais a conhecerem a realidade de vida da criança -  e também alguém da família procurar apoio , confiando seus problemas a pessoas que trabalham na Instituição.  Todavia, estes fatos  somente poderão ser comentados em casos extremos- a pessoas especializadas ( Pedagogos, Psicopedagogos, Psicólogos e Assistentes Sociais) e com a aprovação da Equipe dirigente da Instituição. Tratar aos colegas com respeito e cordialidade, evitando brincadeiras desnecessárias e abusivas, afinal a criança observa o professor e o imita a todo momento.

SABER OUVIR OS RELATOS INFANTIS, nestes momentos o profissional poderá detectar possíveis problemas de várias naturezas, pelos quais a criança poderá estar passando - ou até mesmo sobre sua personalidade. 

SER FIRME E AMÁVEL AO MESMO TEMPO, a criança testa o adulto a todo instante e quando percebe que está vencendo, se torna indisciplinada e resistente às regras de convivência. Porém, a amabilidade deve ser cultivada, assim a criança se sentirá segura, afinal está em um ambiente onde todos são estranhos a ela. Então, caberá ao educador conciliar ambos aspectos, ponderando suas atitudes e conscientizando a criança sobre seus deveres, sempre que necessário.

RECEBER BEM OS PEQUENOS E SEUS FAMILIARES, os pais precisam se sentir seguros em relação ao local e às pessoas em que estão confiando seus filhos. Portanto, o profissional deve recebê-los sempre com cordialidade, esclarecendo suas dúvidas, tranquilizando-os em seus anseios, se disponibilizando a atendê-los quando necessitarem  e  utilizando estratégias que motivem  a criança a gostar de ir para a  instituição.

SER CRIATIVO, o planejamento pedagógico deverá nortear o trabalho do educador, todavia, poderá ser alterado sempre que a atividade proposta não estiver despertando o interesse da turma, para isso o profissional deverá ser criativo e  tornar a atividade em questão mais prazerosa ou até mesmo lançar mão de outra atividade. Elaborar um plano de aula focado em situações cotidianas das  crianças ou da Instituição, encontrando ou criando músicas, histórias, jogos, atividades  e brincadeiras que enfatizem o tema do planejamento é uma ótima estratégia para um trabalho diversificado.

 

 

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QUERER APRENDER, a todo o momento surge um fato inesperado quando o assunto é criança, e nem sempre o profissional está preparado para resolver tudo o que acontecer, portanto, deverá ter humildade para pedir ajuda e querer aprender com os mais experientes.

UTILIZAR ROUPAS ADEQUADAS, caso a instituição não adote uniforme, o ideal é camiseta e calça de malha ou jeans - mais largo - para não prejudicar o desempenho das atividades, e tênis ou sandálias rasteirinhas. Roupas decotadas, saias, sandálias de salto, roupas apertadas, transparentes, miniblusas ou tomara que caia devem ser evitados, pois além de inibir o trabalho do profissional, desperta a atenção de pais, colabores, profissionais e demais pessoas envolvidas no processo.

NUNCA DEIXAR AS CRIANÇAS SOZINHAS, ter consciência de que as crianças não podem ficar sozinhas em nenhum momento, caso tenha necessidade de se ausentar do espaço onde se encontra com a turma, peça a uma criança que chame outro profissional para assumir seu lugar temporariamente. Um segundo sozinhas, os pequenos cometem atitudes inesperadas.

JAMAIS DAR AS COSTAS ÀS CRIANÇAS, ao falar com alguém na porta da sala - ou em qualquer outro espaço - jamais dê as costas às crianças, em fração de segundos acontecem muitos problemas sem que o educador esteja vendo.

TRABALHAR O TOM DE VOZ, não falar em tom áspero, irônico e em  volume alto - assim a criança só compreenderá suas solicitações quando as mesmas forem feitas com gritos. O ideal é manter um tom baixo e calmo, todavia caso haja necessidade de uma alteração, que não haja grito em sua mudança na tonalidade da voz.

GOSTAR DE MÚSICA, nesta fase a musicalização é muito utilizada. O profissional deverá gostar, conhecer e querer aprender mais e mais músicas, de preferência acompanhadas de gestos que ajudam muito no desenvolvimento infantil.

SABER CONTAR HISTÓRIAS, sim, pois contar histórias não é ler o livro - é contar com emoção, despertando a curiosidade e a imaginação da criança.

 

 

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CONHECER AS ÁREAS DO CONHECIMENTO A SEREM TRABALHADAS: Raciocínio lógico matemático, Linguagem oral e escrita, Psicomotricidade, Áreas Perceptivas,  Conhecimento Social, Áreas de expressão artística e cultural, Valores Humanos,Religiosidade, Consciência Ecológica e Conhecimento físico - elaborando seu plano de aula enfatizando todas as áreas.

LER E EXECUTAR A PROPOSTA PEDAGÓGICA E O REGIMENTO DA INSTITUÇÃO,   assim  o trabalho do profissional terá embasamento teórico e sustentabilidade pedagógica.

SABER ELABORAR PROJETOS DE AÇÃO PEDAGÓGICA envolvendo temas atuais, o trabalho com projetos  facilita o trabalho do educador, porém, estes projetos devem ser executados com criatividade envolvendo temas de interesse das crianças e ao mesmo tempo objetivando uma conscientização sobre o tema proposto. Os projetos devem ser constantemente avaliados, caso contrário, não terão significado ao processo educacional.

DECORAR E REDECORAR O AMBIENTE SEMPRE QUE NECESSÁRIO, os olhos da criança se cansam com facilidade de determinadas decorações, para evitar esta situação, o ideal é utilizar cores claras, tons pastéis e desenhos acompanhados de paisagens, passarinhos, vales, árvores e flores, pois acalmam os pequenos.

RESERVAR UM ESPAÇO NA SALA PARA EXPOSIÇÃO DAS PRODUÇÕES DAS CRIANÇAS e convidar os demais profissionais da Instituição, bem como os familiares dos pequenos, para visitarem a exposição de trabalhos delas. Pode-se colocar um nome na exposição e um pseudônimo para o autor da obra. Expor trabalhos nos corredores de entrada da Instituição -  de forma criativa, sempre identificada e relatando os objetivos - também apresentam bons resultados.

É importante ressaltar que não há receita pronta para se trabalhar em nenhum nível educacional, mas a troca de experiências tem garantido excelentes resultados aos profissionais. Entretanto, a chave do sucesso de qualquer trabalho consiste em gostar do que faz. Quando se faz o que se gosta, as barreiras se tornam transponíveis e as amarras mais frouxas.

 

AUTO-AVALIAÇÃO

 

Durante a produção dessa pesquisa fui obrigada a fazer algumas mudanças importantes em função de alguns pontos que foram sendo esclarecidos com o desenrolar da mesma. No início, não tinha bem definido os objetivos e nem havia tido acesso a trabalhos de pesquisas desse nível. Não distinguia bem o que era uma metodologia de pesquisa e um plano de aula. Porém, com o passar do tempo fui tendo entendimento e o trabalho fluiu melhor.

Em relação à prática da leitura de textos didáticos também havia tido pouco acesso, fazer uma síntese e uma análise para mim significava a mesma coisa. Posteriormente, conforme o trabalho tomava forma eu passava a entender melhor e via necessidade de modificar o que já estava produzido.

Outro ponto que me deixou angustiada em relação ao trabalho foi a necessidade de trocar de unidade de trabalho onde atuava no ano passado, pelo fato de haver nova contagem de pontos e alguns professores se tornarem efetivos. Isso tumultuou minha pesquisa e precisei mudar o foco já que as colegas que estavam em observação também foram “pulverizadas” para outras unidades, trabalhando em unidades distintas em horários também distintos.

A pesquisa que estava projetada para ser complementada por questionários e entrevistas foi preciso passar para observação e análise das ações das colegas professoras, no dia a dia do meu novo Centro de Educação Infantil em que passei a trabalhar. Também observei alguma resistência de alguns profissionais em responder a um questionário o que me obrigou a fazer a pesquisa de campo através da observação, investigação, análise e comparação dos resultados com as práticas observadas cotidianamente no Centro de Educação Infantil em que trabalho atualmente.

No decorrer deste percurso constatei o quanto a brincadeira é importante para o desenvolvimento da criança em todos os aspectos. Percebi também que a brincadeira oferece às crianças uma ampla estrutura básica para mudanças das necessidades e tomada de consciência: ações na esfera imaginativa, criação das intenções voluntárias, formação de planos da vida real, motivações intrínsecas e oportunidade de interação com o outro, que, sem dúvida contribuirão para o seu desenvolvimento.

 

 

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Portanto, é imprescindível que os professores compreendam a importância da brincadeira e suas implicações para organizar o processo educativo de modo mais positivo, acreditando que realizam um trabalho de grande qualidade para a formação de cidadãos conscientes.

 


REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA

ABERASTURY,ARMINDA, A criança e seus jogos (Petrópolis-RJ, Vozes, 1972).

BENJAMIN, WALTER, Reflexões: a criança, o brinquedo, a educação (São Paulo-SP, Summus, 1984).

HUIZINGA, JOHAN, Homo Ludens. (São Paulo-SP, Perspectiva, 1980).

KISHIMOTO, TIZUCO MORCHIDA (org.), Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação, 3ª edição, São Paulo- SP, Cortez, 1999.

MALUF, ANGELA CRISTINA MUNHOZ, Brincar Prazer e Aprendizado (Petrópolis-RJ, Vozes- 2ª edição, 2003).

OLIVEIRA, PAULO DE SALLES, O que é brinquedo, São Paulo-SP, Brasiliense- 2ª edição, 1984.

OLIVEIRA, Zilma de Moraes. Creches: Crianças, faz-de-conta & cia. Rio de Janeiro: Vozes, 1992.

Fonte: http://www.webartigos.com/articles/4448/1/A-Importancia-Do-Brincar-No-Desenvolvimento-Da-Crianca/pagina1.html#ixzz1O8p8iAqN

 

Autora: SINARA ELOANA LANZ

Montagem: Vitorio Helatczuk

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